"1922" (2017) | Review | Blog #tas

1922 - Netflix - Talking About Something

"1922" é a nova adaptação de Stephen King Original Netflix, que explora o lado mais obscuro do ser humano. 

Antes de mais nada preciso dizer que esta história não é aquele terror que estamos acostumados a ver, repleto de sustos ou mortes provocados por seres sobrenaturais. É um horror psicológico que tem como objetivo mostrar o quão o ser humano pode ir tão fundo do poço, em nome de seu orgulho e honra. Você percorrerá a mente de uma consciência repleta de culpa e arrependimentos. Nunca a frase "toda escolha, tem sua consequência", fez tanto sentido ao ver 1922, o novo filme da Netflix.

Eu lembro que quando li o conto em 2015, no livro Escuridão Total Sem Estrelas, foi uma das histórias mais agoniantes e arrepiantes que já tinha visto. Nele Stephen King descrevia com detalhes a morte de Arlete, e confesso que o filme até que pegou leve nesta cena - principalmente o aspecto em que se encontrava o cadáver. Então o filme não é bom? Sim ele é, ele foi bastante fiel ao livro. Porém percebi que faltou mais ousadia, uma vez que o filme na plataforma streaming, te possibilita esta liberdade. Por outro lado, compreendi que o objetivo principal do diretor Zack Hilditch, era focar os conflitos internos do protagonista e instigar o público a refletirem e analisarem, tudo aquilo que é apresentado.




Bem chega de delongas e vamos à nossa Review. Então pegue sua melhor bebida, que nossa análise vai começar.

#Sinopse

Wilf James (Thomas Jane) é casado com Arlette James (Molly Parker) e juntos tem um filho chamada Henry James (Dylan Schmid). O casal está tendo alguns desentendimentos sobre a venda de suas terras. Arlette possui uma boa parte destes hectares em seu nome, e pretende vendê-las para ir morar na cidade, para garantir uma futuro promissor ao filho - principalmente educacional. Wilf têm resistências aos planos da esposa, e como não chegam a um acordo, não vê outra alternativa senão matá-la e esconder seu corpo. Como ele não podia fazer isso sozinho, ele convence o filho Henry a ajudá-lo no crime, utilizando argumentos religiosos manipulados, para mostrar que o ato monstruoso era o único meio de salvarem sua propriedade.


Os dois cometem crime, conforme o planejado. Porém Wilf não contava que seu planos teriam consequências impactantes em suas vidas. Assim como na vida real Stephen King deixa bem claro que "A que se faz, se paga". E Wilf descobrirá da pior maneira possível, as consequências de seu orgulho.





#Analisando a História

Desde do assassinato de Arlette, a vida de Wilf e Henry mudou completamente. Com o sentimento de culpa crescendo a cada dia, e como forma de autopunição, Henry exigiu que o pai o chamasse de Hank. Mas por quê? Porque este era o nome que Arlette odiava, quando Wilf o chamava assim. E por não se achar digno de usar seu nome de batismo, preferiu trocá-lo por um nome que simbolizasse o ódio de sua mãe, e que representasse sua traição e impureza cometidas pelo seu crime. O sentimento deste personagem é muito mais explorado no conto, do que no filme. Ao ponto de você se sensibilizar com o garoto e ter as mesmas sensações dilaceradoras de culpa.

Não pense que a figura dos ratos era apenas uma consequência do estado de decomposição do cadáver de Arlette, mas também representava a consicência de Wilf. Mas por que o rato? Porque foi a figura que fixou em sua mente após sua olhada no poço, e vê-los se alimentando do cadáver de sua esposa. É muito interessante a forma como Stephen King explora a mente humana em suas histórias. Seus personagens são muito próximo da realidade, ao mostrar como a consciência é personificada por algo marcante – e aqui no caso a figura rato. E a perseguição deles significa que não adianta fugir, “a culpa irá onde quer que você vá”.



Outro ponto interessante que foi honrado, é a maldição que Wilf trouxe à propriedade. O corpo enterrado no poço representava o seu pecado, que contaminou o solo e perpetuou a sua derrocada. Sendo assim, conforme o tempo ia passando as plantações e os animais iam morrendo, a escassez dos recursos ia aumentando e as terras iam se desvalorizando, descartando cada vez mais as possibilidades de se recuperarem da crise. Já que ele recusou a prosperidade, que passe por necessidade. E conforme a dificuldade aumentava, sua mente se conscientizava.


Havia um outro jeito, sempre há. Mas em 1922 o homem calculista dentro do fazendeiro Wilfred James pensava diferente.





#Impressões 

O filme é baseado no conto de mesmo nome, do escritor Stephen King. E digo que ele foi bastante fiel aos fatos descritos no livro. É interessante você ver as cenas que antes estavam presentes em sua imaginação, concretizadas nesta película. Comprovando mais ainda que Stephen King é um gênio na arte de escrever. Os detalhes foram criteriosamente honrados, assim como os principais diálogos dos personagens. Além da riqueza da fotografia, os detalhes do cenário traduziram muito bem as características físicas e psicológicas do enredo, antes eternizadas no papel.


Apesar de pontos positivos, houve alguns deslizes, que na realidade são mais observações.  E a principal delas é a rapidez de como a história foi contada. Para quem leu o livro irá identificar facilmente todas as passagens apresentadas. Porém, talvez não ofereça a mesma experiência, para quem não leu o conto. Em certos momentos tive impressão que o filme foi bastante editado para não estender seu tempo de duração. Digo isso porque em algumas cenas eram mudadas de forma brusca – inesperadamente uma cena de suspense mudava para uma dramática, sem aquele 3 segundos para você processá-la. Provavelmente se ela fosse lançada em formato de minissérie, de dois episódios, não sentiria este impacto.



“1922” é uma adaptação que vai te entregar uma história bem fechada, e com todos os seus símbolos bem trabalhados aqui. O seu final é um pouco diferente do conto original, mas corresponde com a proposta da narrativa audiovisual. Não é nem melhor, e nem pior que o conto, apenas reforça que as duas versões possuem suas identidades e que respeitam o espaço uma da outra. Outro ponto que não podemos esquecer é que ambas versões trabalham a mesma mensagem, que “toda escolha, tem sua consequência” e que sempre "há um outro jeito de se resolver os problemas". Não é verdade?

Agora me conte o que você achou do filme e se você já leu o conto. Deixe seu comentário e compartilhe sua experiência.

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Até o próximo post ;)


Ficha Técnica:
Título Original: 1922
Direção: Zack Hilditch
Elenco: Thomas Jane, Molly Parker, Dylan Schmid,
País: EUA
Ano: 2017
Distribuidora: Netflix
O Filme Levou:

(4/5 medalhas #tas)

Trailer:

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