Jogo Perigoso (Gerald's Game, 2017) | Review | Blog #tas

 Jogo Perigoso (Gerald's Game, 2017) | Review | Blog #tas

Jogo Perigoso (Gerald’s Game) é a melhor adaptação da obra de Stephen King em 2017, ao lado de It - A Coisa.



Com tantas adaptações das obras de Stephen King sendo lançadas em 2017, você acha que a Netflix iria ficar de fora? Claro que não, né? O streaming que não para de investir em produções originais, lançou no dia 29 de setembro o filme Jogo Perigoso (Gerald’s Game) que é baseado em um livro do mundialmente consagrado mestre do horror, Stephen King. E junto deste lançamento surge a seguinte dúvida: será que conseguiram captar a essência da narrativa do escritor? Posso adiantar que este post está carregado de verdades.


O filme foi dirigido por Mike Flanagan (Hush - A Morte Ouve) e tenho que dizer que em termos de suspense este diretor se sai muito bem. Utilizando elementos simples, para compor a história, o longa é trabalhado a partir da visão da protagonista, dentro de um clima tenso e envolvente.


É importante informar que trata-se de um suspense psicológico. Sendo assim, o longa é carregado de detalhes espalhados pela trama - desde diálogos, à características ambientais. Então você encontrará um enredo bastante interpretativo, reflexivo e analítico. Se você gostar deste estilo de narrativa e estiver em um bom estado espírito, irá degustá-lo intensamente - do começo ao fim.




Jogo Perigoso irá contar a história do casal Jessie (Carla Gugino) e Gerald (Bruce Greenwood) que para tentar recuperar o seu casamento, vão passar um fim de semana em uma casa afastada, longe de tudo e de todos. Logo de início notamos que os dois estão bem distantes um do outro. Em certos momentos Jessie manifesta um certo desconforto, quando seu marido tenta acariciá-la. Tal atitude indica que Jessie está vivendo um relacionamento abusivo, uma vez que Gerald chama sua atenção, quando é contrariado.

Ao chegarem na casa, sem querer perder muito tempo, os dois dão início aos seus trabalhos de salvação matrimonial. Para apimentar a relação, Gerald prende Jessie na cama, com um par de algemas. Porém, o que ninguém imaginava, era que uma fatalidade aconteceria naquele momento. Gerald tem um infarto fulminante e morre. Sem ninguém para ajudá-los, Jessie precisar vencer o desespero, para encontrar uma maneira de sair daquele pesadelo. A partir daí, inicia uma odisseia cheia de tensão, alucinações e reflexões que trazem à tona, alguns fantasmas do passado que estavam bloqueados em sua mente.



O filme vai muito além de uma corrida pela sobrevivência do personagem de Carla Gugino. Nele mergulhamos em uma história repleta de análises psicológicas que estão ligadas ao tema medo. E durante o filme, Jessie precisa lidar com vários conflitos internos, que vão de traumas de infância, à relacionamentos abusivos. As camadas da personagem vão sendo trabalhadas dentro da Teoria da Psicanálise, proposta por Sigmund Freud (1856 - 1939) - Id (instintos primitivos), Ego (administração dos instintos e valores) e Superego (valores morais, sociais e culturais). Sendo que cada uma destas instâncias foram representadas da seguinte forma:


  • Id: é a figura de Jessie forte, ousada, corajosa, contra a moral e ética, e não mede consequências em termos de sobrevivência;
  • Ego: aqui é a Jessie algemada, desesperada, tentando processar as informações e cobranças do Id e Superego;
  • Superego: é a figura de Gerald, que a culpa por tudo. Que afirma que tudo seria evitado, se ela cumprisse o seu papel de esposa - atendendo seus fetiches e necessidades.


Embalados por essa dinâmica, criamos uma empatia com a protagonista. E conforme o filme vai avançando, temos o nosso altruísmo desenvolvido a cada instante. Vale mencionar que a fase infantil de Jessie é uma das passagens mais delicadas e fortes. A atriz mirim Chiara Aurélia soube desenvolver com maestria as cenas dramáticas, concentrando toda sua interpretação em expressões faciais e o conflito pelo olhar - a garotinha me impressionou com seu profissionalismo. Não podemos esquecer do veterano Henry Thomas (Et - O Extraterrestre), que interpretou o pai de Jessie, que junto com Chiara Aurélia trabalharam de forma sincronizada, um ato carregado de emoções.


Confesso que logo que saiu o trailer tive um certo receio, principalmente porque não tivemos um histórico favorável com as últimas adaptações das obras de Stephen King - com exceção de It: A Coisa (2017). Mas fico feliz em dizer que Mike Flanagan entregou uma produção satisfatória, com elementos dramáticos e com a essência de nosso mestre do horror.


Além de provar que um suspense psicológico pode ser trabalhado utilizando elementos simples, o diretor proporcionou uma narrativa envolvente e de qualidade. Com toda certeza, Jogo Perigoso pode ser considerada uma das melhores produções originais da Netflix de 2017.






Ficha Técnica:


Título Original: Gerald’s Game
Direção: Mike Flanagan
Elenco: Carla Gugino, Bruce Greenwood, Chiara Aurelia, Henry Thomas, Kate Siegel e Carel Struycken.
País: EUA
Gênero: Suspense
Ano: 2017

O Filme Levou:
(4/5 medalhas #tas)



Vale lembrar que em outubro de 2017, será lançada  “1922” mais uma adaptação de uma obra de Stephen King - Eu já li o conto e confesso que é uma história bem agoniante. Vamos torcer para que a adaptação siga o mesmo estilo.


E o que você achou do filme? Deixe seu comentário e compartilhe com a gente sua experiência.


Se você gostou deste artigo, compartilhe com seus parentes e amigos e aumente os debates sobre o filme.


Até o próximo post.

Nenhum comentário

Tecnologia do Blogger.